13.2.06

 

Pais portugueses aderem à moda dos "babyblogues"

Reproduzia um interessante artigo publicado recentemente no Jornal de Notícias. Infelizmente não é apresentado na notícia qualquer exemplo.

Fenómeno: Proliferam na Internet fóruns de discussão e reflexão sobre a maternidade

Presidente do Colégio de Especialidade de Pediatria alerta para "perigos" e "disparates"

Fenómeno em expansão ou moda? Polémicos, úteis, promotores de convívio e de reflexão sobre a maternidade/paternidade, os "babyblogues" estão a conquistar cada vez mais portugueses. Uma teia dinâmica de relações, que vai muito além do registo on-line do quotidiano de pais com os seus filhos, na qual se criam amigos e inimigos e onde o perigo também pode espreitar.

São às centenas. A cada dia a blogosfera floresce e nasce mais um e mais outro. Para Ana (nome fictício), "os fóruns de mães, nos quais um sem número de mulheres se aconselham umas com as outras, procurando algum feed-back", abriram caminho para os blogues. Ana, mãe de três crianças e com um "site" criado em 2003, não gosta do termo babyblogue - considera-o feito à medida de mães que "querem parecer perfeitas". "Eu não sou nem quero parecer", argumenta, revelando que o seu "cantinho" é um "registo de vivências, más e boas".

Entrar no universo dos baby-blogues é um rendilhado de ligações (links) sem fim. Em cada um, o autor "anuncia" páginas da sua preferência e está criada uma interacção, que vive de comentários a cada texto.

"Quem se expõe sabe que se pode sujeitar a todo o tipo de reacções. Fiz inimizades. Suspendi o blogue vários meses por causa de uns comentários", conta. No reverso, a solidariedade resulta em encontros de "blogueiras" e amizades. "Fiz dois ou três amigos", revela Ana, que alude ao sucesso de alguns negócios ligados ao mundo infantil, promovidos por ali, e ao facto de estar criada "uma moda" em crescendo.

Há vários géneros de blogues os que pintam a vida a cor-de- rosa e os mais realistas, os que não descuram a privacidade e os que confiam, em pleno, na segurança da Internet.

Leonor Soares, mãe de gémeos, está a começar, de boa fé. "Se expomos alguma dúvida, a ajuda chega logo através de comentários. Há muita solidariedade!", acredita, explicando que optou por criar um blogue para que, um dia, "os protagonistas o possam ler".

A opção de colocar fotos pertence a cada um, mas a maioria fá-lo. A partilha do turbilhão de emoções e inseguranças é ponto comum. Quando ainda eram poucos os homens a fazê-lo, Henrique F. criou um "site" sobre o filho. "A maioria das pessoas limita-se a acumular fotografias dos momentos felizes, contudo, isso não me era suficiente, tudo o que sentia era avassalador, assustador até. Tinha de o relatar de alguma forma, da única forma em que o fosso entre o meu sentir e a minha capacidade de expressão é menor escrevendo".

Especialista recomenda cautela

Quando a saúde ou a privacidade das crianças pode estar em causa, recomenda-se cautela. É esta a opinião do presidente do Colégio de Especialidade Pediatria da Ordem dos Médicos, Jorge Amil Dias, para quem "a ausência de filtros" e de moderadores em blogues e fóruns de discussão faz com que "os disparates e os perigos tenham o mesmo aspecto do que a informação credível". "Se se trata de conversas sobre temáticas do senso comum, a melhor forma de o bebé dormir ou arrotar, por exemplo, dou-lhe todo o mérito. Mas há várias situações em que não se pode dispensar a opinião especializada", refere, aludindo aos conselhos sobre medicação ou afins. "De uma forma genérica, considero que quem circula por estes meios deve apurar o sentido crítico". O pediatra recorda que leu "muita coisa útil, mas também inúmeros disparates". "Na Internet é tudo zeros e uns, não se lêem intenções", argumenta.

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